PAZ sim! NATO não!

A NATO, Organização do Tratado do Atlântico Norte, realiza a sua Cimeira de 7 a 8 de julho, em Ankara, na Turquia, tendo na sua agenda o incremento da militarização das relações internacionais, o aumento das já colossais despesas militares, a promoção da escalada armamentista, o prolongamento da política de confrontação e guerra – com as dramáticas consequências e os sérios riscos que comporta para toda a Humanidade.

A pressão sobre os salários e as pensões, os ataques aos direitos laborais e sociais, aos serviços públicos, como na saúde, na educação e na segurança social, visa, entre outros objectivos, desviar meios financeiros para os armamentos e a guerra, com as gravosas consequências sociais e económicas que têm atingido os povos da generalidade dos países que integram este bloco político-militar agressivo.

Recorde-se que os 32 países membros da NATO gastam mais de metade das despesas militares mundiais, ou seja, mais que os restantes 161 países membros da ONU.

As divergências – umas reais, outras encenadas – que se manifestam entre os EUA e as potências europeias que integram a NATO, não apaga a sua convergência na política belicista que é protagonizada por este bloco político-militar contra a paz, os direitos e a soberania dos povos.

A NATO é um instrumento de agressão, de guerra, de domínio dos EUA, que conta com o activo comprometimento e participação das outras potências europeias que integram o G7, assim como do Canadá.

Apresentando-se falsamente como um garante da paz e da segurança internacional, a NATO foi responsável pela primeira guerra no continente europeu depois do fim da II Guerra Mundial, a agressão militar à Jugoslávia, em 1999, que levou à criação do autêntico protetorado que é o Kosovo, no que constitui uma flagrante violação do direito internacional. Posteriormente, a NATO levou a guerra para além do continente europeu, com a guerra no Afeganistão, a participação na invasão e ocupação militar do Iraque ou a agressão militar à Líbia.

A NATO tem sido cúmplice com o genocídio do povo palestiniano e com outras muitas outras agressões, de que são exemplo mais recente a agressão militar dos EUA e de Israel ao Irão ou a agressão militar de Israel ao Líbano e à Síria.

Criada em 1949, alegando falsamente a “defesa do mundo livre”, a NATO integrou entre os seus membros fundadores a ditadura fascista e colonialista portuguesa e os maiores impérios coloniais da época, que reprimiam pela força os anseios libertadores dos povos colonizados.

Usando como pretexto para a sua criação o combate à alegada e falsa “ameaça” soviética, a NATO precedeu em seis anos a constituição do Pacto de Varsóvia e, face ao desaparecimento da União Soviética e do campo socialista europeu, não só não se dissolveu como reafirmou os seus propósitos agressivos e alargou o seu âmbito geográfico de intervenção militar a outros continentes e regiões do mundo, como a região Ásia-Pacífico, onde promove o envolvimento do Japão, da Coreia do Sul, da Austrália e da Nova Zelândia, entre outros países, na sua estratégia belicista.

A sua incessante expansão para o Leste da Europa, contrariando compromissos assumidos, está na origem no conflito que se trava na Ucrânia, Conflito instigado e prolongado pela NATO e pela União Europeia, que sempre se tem oposto à diplomacia para lhe pôr fim.

Num momento tão tenso da situação internacional, impõe-se defender a paz, o desanuviamento das relações internacionais e o desarmamento geral, simultâneo e controlado.

O caminho a trilhar encontra-se plasmado nos princípios da Carta das Nações Unidas, da Ata Final da Conferência de Helsínquia e da Constituição da República Portuguesa, que o actual Governo português – como anteriores – desrespeitam abertamente ao submeterem-se à política de confrontação dos EUA, da NATO e da UE.

O que se impõe é prosseguir e intensificar a acção pela dissolução dos blocos político-militares, pela defesa da paz e da soberania, pela solidariedade com os povos que enfrentam a agressão dos EUA e seus aliados: na Palestina, no Líbano, no Irão, em Cuba, na Venezuela e em tantos outros locais.

É este o caminho que serve os povos do mundo. É este o caminho que importa continuar a trilhar e para o qual o Conselho Português para a Paz e Cooperação continuará a intervir, com coragem e confiança – pois a luta pela Paz é o caminho urgente, justo e necessário.

7 de Julho de 2026

A Direção Nacional do CPPC

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